INDUSTRIALIZAÇÃO NA REGENERAÇÃO

Numa aula de História do 9º ano (um tempo letivo de 45 minutos) foi realizado um exercício que consistia na construção de um texto historiográfico. Para tal foi pedido aos alunos que, previamente, estudassem os temas correspondentes à Meta Curricular IV.A – 3. Conhecer e compreender os sucessos e bloqueios do processo português de industrialização do 8º ano (apesar de pertencer ao 8º ano, esta Meta foi recuperada e aprofundada no 9º ano).

Na aula marcada para realização do exercício foi fornecido aos alunos o suporte documental sobre o qual o texto deveria ser construído: dois documentos retirados da página 217 do Manual de História do 8º ano (Maria Emília Diniz, Adérito Tavares, Arlindo M. Caldeira, Raquel P. Henriques, História oito, Lisboa, Raiz Editora, 2014), que a seguir se reproduzem. Foi também indicado o título que deveria encabeçar o texto, bem como foi proposta uma estrutura que o mesmo deveria seguir.

Como testemunho da qualidade geral dos trabalhos, publicam-se aqui dois, que podem ser considerados exemplares, na sua consistência, rigor e diversidade de abordagens.

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Na Regeneração houve industrialização?

(Por Miguel Patrício – 9º B)

Portugal, como muitos outros países, procurou a industrialização como modo de enriquecimento, mas a falta de estabilidade política, a falta de recursos monetários e a mentalidade tradicionalista foram grandes obstáculos. Para compreender se estes obstáculos foram ultrapassados, recorreu-se à análise de dois documentos: um texto retirado do jornal “A Lanterna”, edição de 17 de dezembro de 1870, e que fala sobre os empréstimos e impostos, e também um mapa que demonstrava a evolução dos caminhos de ferro em Portugal.

A Regeneração foi um período de alguma estabilidade política e que tinha como objetivo regenerar o país, tornando-o mais moderno e atualizado. Foi um período que teve início no ano de 1852, após um movimento cartista, em Portugal.

Através do mapa (documento 6) podemos facilmente identificar o aparecimento de alguns centros de indústria maquinofatureiros, que utilizavam a máquina para a mão de obra. O mapa mostra também a evolução dos caminhos de ferro, uma das maiores manifestações da industrialização, que embora tenha começado bastante tarde, foi relativamente rápida, tendo em conta o atraso vivido em Portugal. Mesmo assim podemos considerar este processo muito lento. Claro que para tudo isto ser financiado, tiveram que ser feitos enormes sacrifícios.

Apesar desta visão positiva da industrialização portuguesa, a fonte escrita (documento 5) mostra-nos o lado negativo da situação: a dependência do estrangeiro e a crise que mais tarde se veio a sentir. O texto fala-nos nos empréstimos pedidos ao estrangeiro, como se vê em «O governo português anda mendigando em Londres um novo empréstimo», e refere que aos empréstimos eram ainda adicionados os impostos («… não sabem senão estes dois métodos de governo – empréstimos e impostos.»). O documento refere ainda o círculo vicioso que se cria, como se pode comprovar em «…é só dinheiro para pagar juros de dívida e endividar-nos ainda mais!». Por último, fala-se na má utilização do dinheiro recebido, o que se conclui de «É a dívida a multiplicar-se para não faltarem à Corte banquetes, festas, caçadas, folias!».

Comparando a industrialização de Portugal com a dos restantes países, podemos concluir diversas coisas. Pelo lado positivo, temos um país que foi capaz de se modernizar e que, em menos de sessenta anos, evoluiu bastante. Esta evolução levou à melhoria das indústrias, o que levou a uma ligeira diminuição da dependência externa. Por outro lado, ao contrário dos outros países, a industrialização portuguesa não respeitou as três fases estabelecidas noutros locais, uma vez que surgiram em Portugal aparelhos característicos da terceira fase, como o telégrafo, mesmo antes da difusão da máquina a vapor. Não só pela sua lentidão e atraso, a industrialização portuguesa deixou uma pesada herança económica: uma enorme dívida externa.

Por fim, concluo que de facto houve industrialização do país durante a Regeneração, embora tenha sido extremamente lenta, sem respeitar todas as fases da evolução gradual que permitiram aos outros países compensar o investimento nas novas tecnologias, com o lucro obtido pela indústria.

Houve realmente uma industrialização, com melhores vias de comunicação e criação de novas indústrias, mas esta foi demasiado demorada e cara para ser vantajosa para Portugal.

 

Na Regeneração houve industrialização?

(Por Pedro Farinha – 9º D)

Com este texto pretendo fazer uma análise em relação ao período da Regeneração. Nesta época, Portugal mantinha estruturas económicas e sociais típicas do Antigo Regime, que bloqueavam as transformações no país, tinha sido atacado por Napoleão recentemente, o que arruinou a agricultura e as manufaturas, o Brasil declarou nessa época a sua independência, o que fez decair o comércio atlântico e a guerra civil entre liberalistas e absolutistas destruíra o país por completo. Portugal nesta altura era ainda um país quase exclusivamente rural, onde se praticava uma agricultura tradicional e pouco produtiva. Portugal não tinha nenhuma condição favorável à sua industrialização.

Para a realização deste texto utilizarei o documento 5, da página 217 do Manual de História e também o documento 6 da página 217 do Manual de História.

O período da Regeneração começou no ano de 1851, em Portugal, e o principal dinamizador era Fontes Pereira de Melo. A Regeneração tinha como objetivo a industrialização de Portugal a partir da construção de vias-férreas e de estradas.

O documento 6 da página 217 do Manual de História é uma fonte gráfica (mapa) que nos mostra as terras cultivadas em Portugal, o avanço da construção de linhas férreas e os principais centros de indústria maquinofatureira, em 1881. Entre 1856 e 1869 já existiam vias férreas de Lisboa até ao Porto, de Lisboa até Portalegre e de Lisboa até Setúbal e Évora. Podemos ver que foi na altura de 1856-1869 que começou a industrialização em Portugal. Entre 1870-1883 já foram criadas outras linhas férreas. Entre 1884-1897 construíram-se mais e já existiam linhas férreas por quase todo o país e cidades. Já eram 200 Km de extensão. Podemos ver que os principais centros de indústria maquinofatureira, em 1881, localizavam-se em Lisboa, em Santarém, no Porto e em Braga. Vemos também que as linhas férreas passavam por muitos campos cultivados, o que prejudicou os agricultores.

O documento escrito (documento 5 da página 217 do Manual de História) indica-nos um descontentamento do povo em relação ao fontismo. Esta política baseava–se num aumento de impostos e de capitais externos para a construção de estradas e caminhos-de-ferro, para dar início à Revolução Industrial e aumentar os rendimentos fiscais para depois pagar as dívidas. O Estado acabou por acumular uma dívida externa muito grande e para saldá-la tinha que pedir outro empréstimo ficando num círculo vicioso de que não se conseguia libertar. Além disso não se realizou uma rápida industrialização, piorando a situação. O documento ainda critica o Estado por não ajudar o povo e gastar muito dinheiro em banquetes, festas, caçadas e folias.

A industrialização em Portugal, como já referi, foi muito lenta e a mão de obra qualificada escasseava. Portugal estava ainda na primeira fase, a passar para a segunda, do factory system até aos transportes, quando alguns países já estavam no final da terceira fase e surgiam a metalomecânica e os adubos.

Na minha opinião, Portugal realizou a sua industrialização, mas muito lentamente e à sua maneira. O povo nesta altura acabou por sofrer muito, mas foi graças ao seu sacrifício que Portugal conseguiu realizar uma industrialização.

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